terça-feira, 7 de maio de 2013

4º Capítulo



O interior da casinha de madeira estava decorado com rosas e alguns corações espalhados.
-A senhora tem fome?
-Perdi-a toda quando vi isto!
-É bom saber isso. – pegou na minha mão e levou-me até um sofá.
Aquilo era perfeito. Estar assim. Ali, com ele. Não podia pedir outra coisa para me deixar feliz.
-Amo-te Harry!
-Ahn… eu também…
Bastava olhar para a sua cara para se perceber que alguma coisa não estava bem. Estava nervoso.
-Que se passa? – disse preocupada.
Ele inspirou fundo e ajoelhou-se à minha frente.
Harry? O quê? Não, não pode ser.
-Kate… eu amo-te mais que tudo. Queres casar comigo? – tirou uma caixinha do bolso, abrindo-a e eu vi um anel lindo.
-Ahn…Harry…eu….mas, já? Harry…
Eu estava confusa com aquilo.
Não conseguia dizer um “sim”. Eu queria aquilo mais do que qualquer outra coisa. Mas agora? Não eramos demasiado novos? E a faculdade? A tour? Não dava.
Mas eu queria aquilo. Mais que tudo.
-Eu… eu…acho que ainda é demasiado…ahn…cedo, Harry. – tentei suportar as lágrimas, mas elas já caiam pelo meu rosto.
-Ahn? Isso é um…- na sua cara, notavase perfeitamente a deceção.
.Desculpa Harry, desculpa. Eu quero isto, quero muito. Mas acho que para já é melhor não. Deixa-me pelo menos acabar a faculdade e tu, esta tour. Isto foi muito repentino.
-Nós namoramos à 6 anos. 6 anos, por amor de Deus. Muito repentino? Caramba Kate. Porque é que não acabaste comigo antes?
-Acabar contigo? Harry, eu não quero acabar contigo. Não quero isso.
-Se já não gostas de mim, porque não?
-Harry, eu amo-te. mais que tudo. Só que não estou preparada para dar este passo. Agora não consigo…
-E quando vais estar? Ou não estás preparada para dar este passo comigo? Queres outra pessoa?
-Eu quero-te a ti. Para isto, para construirmos uma família. Eu e tu. Mais ninguém. Mas agora, não consigo. Falta-me um ano para sair da faculdade. Até lá temos muito tempo. Podemos aproveitá-lo como sempre fizemos. Tu também tens a banda, a tour… não ia sobrar tempo para prepararmos tudo. Acho que não é melhor fazermos isto agora. Desculpa…
Ele olhava para mim como se lhe tivessem tirado o tapete debaixo dos pés. Perdido. Sem saber o que fazer.
Os seus olhos vermelhos de chorar assemelhavam-se aos meus.
Virou-me costas e saiu da pequena casa.
Deixei-me cair no chão a chorar.
Levei os meus joelhos para junto do meu peito e abracei-me a mim mesma, a chorar.
Porque tinha feito aquilo? Casar com Harry, o homem que amo, era o que eu mais queria neste mundo e no outro. Será que o tinha perdido? Não, não. Por favor que isso não seja verdade. Eu não conseguia viver sem ele. Não. Ele era demasiado importante para mim. Mas, e se o perdi?
Não sei quanto tempo fiquei assim. Mas sei, que cada vez estava mais magoada. Comigo mesmo.
Ouvi a porta a abrir-se e vi Harry.
Harry estava molhado, com os olhos vermelhos, provavelmente de chorar.
“Quando nada está bem, o mar dá-te a resposta”. Lembro-me de Harry me dizer isto, quando fizemos um mês de namoro e fomos exatamente àquela praia. A nossa praia. Nessa altura ele tinha tido problemas com a família.
-Anda. – disse-me friamente pegando nas chaves do carro.
-Para…onde? – tentei olhar para os seus olhos, mas ele não olhava para mim.
Fazia de tudo para desviar o seu olhar do meu.
            -Casa. – saiu da casa pequena.
Levantei-me e peguei no meu casaco e vesti-o.
Ia a sair e reparei na caixinha preta no meio do chão. Peguei nela e as lágrimas invadiram-me de novo a cara.
Sai de casa e tentei procurar Harry, mas ele já não estava em nenhum lado.
Tentei lembrar-me por onde tínhamos vindo e acabei por encontrar Harry dentro do carro à minha espera.
Quando me viu olhou logo para outra direção.
Guardei a caixinha no bolso do casaco.
Entrei no carro e Harry partiu logo.
O ambiente entre nós era o pior de sempre.
Pela velocidade a que ele ia, percebia-se que queria chegar a casa depressa.
-Desculpa… - disse, tentando quebrar aquele silêncio mais do que constrangedor.
Ele ignorou-me por completo.
Chegamos a casa e ele mal estacionou o carro saiu.
Sai atrás dele e ele entrou em casa sem olhar para trás.
-Vou dormir no quatro de hóspedes. – disse-me bruscamente indo para o sofá.
-Mas…e o nosso quarto?
-Dormes lá.
-Nós…desculpa, por favor.
-Pois.
-Harry, eu não quero acabar aquilo que nós temos. Não quero.
-Mas também não queres que levemos aquilo que nós temos noutro sentido.
-Eu quero. Juro que sim. Mas acho que ainda é cedo. Tenho de acabar os estudos. Não dava.
-Pois, claro.
Tinha feito a pior asneira de sempre.
-Guarda isto, por favor. Amo-te. – com as lágrimas a caírem-me pela cara, fui até a beira dele e entreguei-lhe a caixa.
-Como…? – ele olhou para mim.
-Eu quero casar contigo. Pode não ser agora. Mas eu quero mais que tudo. Tenta perceber o meu lado. E por favor, não desistas de mim.
Saí da beira dele a correr e subi até ao nosso quarto, onde deitei-me na cama e chorei. Chorei como nunca na minha vida tinha chorado.



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Desculpem por ter demorado tanto a publicar este capítulo s:
Espero que gostem. não está muito grande, mas como já viram, aqui acontece imensaaaaaa coisa.
Bem, obrigada por continuaram a ler. Cupcake xx

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